Vi o Sol nascer… as cores do dia despertando e me tocando de uma forma macia, calma… Pensei num novo dia, num novo começo. Pensei nas minhas limitações, nas limitações dos outros, na solidão! Pensei em quantas pessoas passaram esse Natal sozinhas, sem suas famílias ou seus amigos! Depois da ceia, dei um pulo nos sites de relacionamentos nos quais sou cadastrada e me assustei com o fato de ter milhares de pessoas solitárias procurando alguém pra conversar e esquecer da solidão! Muita gente, que assim como eu, têm medo de aceitar o fato essencial de que são sós! Não é a questão de não ter uma família ou amigos, mas simplesmente o medo de encarar de que são irremediavelmente sozinhas e que não adianta arrumar alguém para fazer o papel de “tábua de salvação”! Descontam essa limitação no álcool, nas drogas, comida, trabalho, sexo e diversões descontroladas! Mas, apesar disso tudo, continuam se sentindo “sozinhos na multidão”! Percebi que o ser humano é incapaz de se satisfazer com alguma coisa, está sempre querendo mais! Pensei nisso durante a ceia de Natal! Todos da minha família (apenas os mais íntimos), estavam de porre e sabe como é, de “cara cheia” é mais fácil falar sobre o que se sente! Uma amiga da família disse que nunca tinha tido um orgasmo com o ex-marido e que só foi descobrir isso nos braços de outra mulher. Meu avô revelou que em 1952 havia tido um caso com a melhor amiga da minha avó, declarou-se apaixonado por ela até bem pouco tempo atrás! Eu…bem, eu disse, no auge da minha embriaguez, que era muito infeliz e que fumava maconha pra esquecer da minha infelicidade! Pensei que quando dissesse isso, todos fossem apontar o dedo e me condenar, mas ninguém notou o que eu havia dito e continuaram discutindo e revelando seus segredos! Tudo bem descontraído, porém com uma certa dose de tristeza e melancolia! Pude ver que eles são tão solitários quanto eu ! Hoje, quando acordaram, não se lembravam de nada ou pelo menos, fingiram não se lembrar! Tudo voltou a ser como era antes: todo mundo com cara emburrada, desejando um “feliz Natal” bem falso, apenas por educação! A magia da noite de Natal acabou e nós voltamos a ser sozinhos, como de costume… Hoje eu vou tentar recomeçar, não vou ter medo de ser só. Vou aceitar a total responsabilidade pelas minhas atitudes e fracassos, desprezando sofrimentos desnecessários ou a opinião que os outros dizem ou fazem pra encontrar a felicidade! Sei que vai ser difícil e que vai doer muito, afinal de contas, isso é quase igual a perder a virgindade ou parar de fumar: Dificíl e doloroso no início, mas delicioso e gratificante no final !
Obs: Artigo escrito em 25/12/2006
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário