sábado, 30 de junho de 2007

Carta pra ti... Isaura !

[Ouvindo Beethoven - Moonlight Sonata]
http://www.youtube.com/watch?v=_NqjFq-P9Kc

Isaura, minha querida Isaura… Perdoe-me se revelei teu verdadeiro nome, mas não me pude furtar a esse prazer, teu nome é lindo ! Tão lindo quanto a tua figura, tão lindo quanto o teu seio em forma de pêra madura… Isaura, teus lábios são tão doces que não merecem o azedume dos meus beijos… Tua pele, de uma mistura branca e rosa, tão delicada não merece o toque áspero de minha mão negra e enrugada ! Tu mereces coisa melhor do que eu, mereces um amor maior e verdadeiro ! Por um breve e sublime momento conseguistes pôr beleza em minha vida e sempre que meu olhar te lembrar, sentirei o cheiro da tua primavera, mas não te atormentes por mim, eu não mereço ! Sou o meu próprio castigo, meu próprio tormento, sou inválida de qualquer sentimento… Essa noite, foi a melhor que já tive, mas meu vazio é como um buraco negro: mata todas as estrelas que me iluminam, deixando-me na escuridão ! Quisera eu amar-te como deves ser amada, quisera eu ser capaz de amar-te ou amar a qualquer ser… mas, por verdade te digo nestas duras linhas que não te amo, por verdade te digo nestas duras linhas que não amo a mim mesma! A estas horas, podes pensar que não passastes de mais uma em minha cama, não te ressintas de mim e não te enganes ! Fostes a primeira a visitá-la depois de tanto tempo e digo com honra e orgulho que foi mais do que um prazer, foi uma dádiva que me concedestes ! Minha pobre alma não merecia tal previlégio… previlégio que muitos homens nunca terão ! De fato e verdade assumida, eu te amei com toda a ternura e sinceridade e carinho com que jamais amarei alguém ! Mesmo que por uma breve noite, me valeu por milhares de outras longas noites… Eu ainda te amo, Isaura ! Te amo como amaria a Deus, se acreditasse nele… te amo como a mais sagrada das criaturas… te amo ao meu modo, estranho, porém sincero ! Mas, jamais poderia dar-te o amor que tanto desejas… Isaura, eu te peço: não te ressintas de mim ! Isaura, assim como o teu nome, não te escravizes o amor e a felicidade pelo meu tormento, pelo meu vazio… Tua liberdade me é importante, portanto fujas de mim ! Não te sou e nem te serei boa enquanto me amares com tanta sofreguidão ! Deixe-me com minha dor… deixe-me com minha solidão… é com ela que eu vivo e é ela que enche meu coração ! Não penses que estas palavras não me ferem, porque sim, elas realmente me ferem ! Minha dor é mais lancinante do que a tua, acredite-me ! Ah, Isaura… como queria amar-te com todas as forças com que me amas ! Me despeço de ti com a alma dilacerada e com lágrimas ácidas que queimam meu rosto enquanto escrevo estas linhas afásicas... Um dia, me perdoarás e me agradecerás por tê-la libertado... Jamais esquecerei de ti, minha querida Isaura, jamais !
...Da tua Lady...

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